No meio do caminho tinha um plantão e eu demorei para conseguir baixar o primeiro episódio da quarta temporada. Tudo bem, já que os próximos dois devo ver in loco na terra do tio Sam. Mas vai aí o que eu achei. Contém SPOILERS.
Para quem reclamou que a terceira temporada era muito parada, a quarta chega chutando a porta, no meio da maior batalha que o seriado já viu desde o primeiro episódio, que só ganha porque o mundo acabou. Vemos naves da frota sendo destruídas e efeitos especiais de tirar o fôlego. Aliás, essa pausa de um ano fez muito bem para a equipe de efeitos, os combates estavam mais reais, os ângulos mais ousados. A batalha foi linda, linda.
Em meio a um episódio cheio de ação, minha cena favorita foi uma das mais paradas. A que o almirante e o Lee conversam revendo a imagem do viper da Kara explodindo em mil pedaços. Primeiro porque é ótimo ver que os dois voltam às boas depois do final da temporada passada. Lee e Adamão são a única “família” que existia antes do fim das colônias e é muito triste que eles se distanciem. O “put them back on” do Adamão foi de partir o coração. Dá pra ver como ele se orgulha de ter um filho piloto. Mas a parte que mais me arrepiou foi quando Apollo manda: “e se fosse meu irmão a sair daquele cockpit? Faria alguma diferença se ele fosse um cylon?”.
É o cerne da questão em BSG: o que define um ser humano. E ver isso no Lee, um personagem que passou as três primeiras temporadas com o sangue quente quando o assunto eram os cylons é comovente. Ele foi um dos únicos que não engoliu 100% a nova Sharon. E ele confessar isso, de que amaria seu irmão mesmo que ele fosse um cylon (e, na entrelinha, de que amaria a Starbuck mesmo se ela fosse) é um avanço e tanto para o personagem, que pelo visto vai ter um papel de liderança importante nesta temporada.
A frase do Lee ecoa mais tarde, quando o Anders quase sai do armário e diz que se Kara fosse uma cylon desde o começo, isso não mudaria quem ela era e o amor que ele sente. Também ecoa o que Tigh anda rosnando para cima e para baixo: que ele decide de que lado ele está, independente do que seja. E toda a questão no centro de Galactica: afinal, o que é que nos faz humanos?
Em todas as guerras da humanidade, os soldados costumam desumanizar o inimigo. Os judeus não eram gente para os nazistas e o nazistas não eram gente para os Aliados. Os vietcongs não eram gente para os americanos, eram os charlies. No caso dos cylons, eles começaram como robôs, mas o que são agora? Se eles parecem humanos por dentro e por fora, sangram como humanos, pensam como humanos, sentem como humanos, sofrem, erram, se apaixonam, por que não seriam humanos? Porque mataram? Matar não é humano? Porque foram produzidos pela humanidade? Mas os bebês de proveta, os filhos da reprodução assistida, também não foram?
O que define humanidade? Se o seu irmão não fosse “humano”, isso mudaria as experiências que você teve com ele durante toda a sua vida? Mudaria o amor que você sente? Assim, do nada? É isso que Apollo parece estar entendendo, e, pelo olhar, até o almirante pára um pouquinho para pensar. Starbuck é obrigada a pensar nessas coisas na marra, porque até ela começa a duvidar do que é. Baltar já tem essas dúvidas há tempos e agora os quatro se juntam a ele. A única pessoa que parece determinada a continuar do jeito que as coisas estavam é Roslin, à beira da morte, e fica claro que até mesmo Adama está confuso, apenas seguindo suas ordens.
No mais, eu tenho medo do deus dos cylons. De arrepiar as cenas envolvendo o Baltar Jesus Cristo Superstar e o molequinho.
De resto, ficam as perguntas não respondidas e as novas perguntas:
- Ainda: o que diabos aconteceu com a Kara? Ela não parece estar mentindo, mas o que pode ter acontecido para ela pensar em seis horas e terem passado dois meses? E o seu viper? O que aconteceu?
- Qual é a das seguidoras do Baltar? Da onde surgiu isso? E por que diabos ele tem essa “linha direta” com deus?
- Por que os cylons se retiraram da batalha? Eles já enfrentaram o Anders antes, só não num viper. Por que só agora, depois do All Along the Watchtower, eles o reconheceram?
- Se a Six sente os final five “perto” porque a Athena parece que não? Por que ela nunca falou nisso?
Momentos favoritos, além da cena acima mencionada:
- A batalha inicial: Linda
- O Chief gritando com todo mundo no deck
- A cara desesperada da Tory se voltando para o Tigh: “alguma coisa pode ter mudado”
- O abraço do Lee na Kara
Por MJ
P.S. 1: É impressão minha ou o Baltar mudou o sotaque para o de Aerilon, que ele mostra num dos últimos episódios da terceira?
P.S.2: Engraçado como a gente nunca acerta nada com esse previews. Todo mundo pirando com a cena de uma battlestar sendo destruída e era uma nave da frota. Ha.