Abril 6, 2008...3:04 pm

He that believeth in me

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No meio do caminho tinha um plantão e eu demorei para conseguir baixar o primeiro episódio da quarta temporada. Tudo bem, já que os próximos dois devo ver in loco na terra do tio Sam. Mas vai aí o que eu achei. Contém SPOILERS.

Para quem reclamou que a terceira temporada era muito parada, a quarta chega chutando a porta, no meio da maior batalha que o seriado já viu desde o primeiro episódio, que só ganha porque o mundo acabou. Vemos naves da frota sendo destruídas e efeitos especiais de tirar o fôlego. Aliás, essa pausa de um ano fez muito bem para a equipe de efeitos, os combates estavam mais reais, os ângulos mais ousados. A batalha foi linda, linda.

Em meio a um episódio cheio de ação, minha cena favorita foi uma das mais paradas. A que o almirante e o Lee conversam revendo a imagem do viper da Kara explodindo em mil pedaços. Primeiro porque é ótimo ver que os dois voltam às boas depois do final da temporada passada. Lee e Adamão são a única “família” que existia antes do fim das colônias e é muito triste que eles se distanciem. O “put them back on” do Adamão foi de partir o coração. Dá pra ver como ele se orgulha de ter um filho piloto. Mas a parte que mais me arrepiou foi quando Apollo manda: “e se fosse meu irmão a sair daquele cockpit? Faria alguma diferença se ele fosse um cylon?”.

É o cerne da questão em BSG: o que define um ser humano. E ver isso no Lee, um personagem que passou as três primeiras temporadas com o sangue quente quando o assunto eram os cylons é comovente. Ele foi um dos únicos que não engoliu 100% a nova Sharon. E ele confessar isso, de que amaria seu irmão mesmo que ele fosse um cylon (e, na entrelinha, de que amaria a Starbuck mesmo se ela fosse) é um avanço e tanto para o personagem, que pelo visto vai ter um papel de liderança importante nesta temporada.

A frase do Lee ecoa mais tarde, quando o Anders quase sai do armário e diz que se Kara fosse uma cylon desde o começo, isso não mudaria quem ela era e o amor que ele sente. Também ecoa o que Tigh anda rosnando para cima e para baixo: que ele decide de que lado ele está, independente do que seja. E toda a questão no centro de Galactica: afinal, o que é que nos faz humanos?

Em todas as guerras da humanidade, os soldados costumam desumanizar o inimigo. Os judeus não eram gente para os nazistas e o nazistas não eram gente para os Aliados. Os vietcongs não eram gente para os americanos, eram os charlies. No caso dos cylons, eles começaram como robôs, mas o que são agora? Se eles parecem humanos por dentro e por fora, sangram como humanos, pensam como humanos, sentem como humanos, sofrem, erram, se apaixonam, por que não seriam humanos? Porque mataram? Matar não é humano? Porque foram produzidos pela humanidade? Mas os bebês de proveta, os filhos da reprodução assistida, também não foram?

O que define humanidade? Se o seu irmão não fosse “humano”, isso mudaria as experiências que você teve com ele durante toda a sua vida? Mudaria o amor que você sente? Assim, do nada? É isso que Apollo parece estar entendendo, e, pelo olhar, até o almirante pára um pouquinho para pensar. Starbuck é obrigada a pensar nessas coisas na marra, porque até ela começa a duvidar do que é. Baltar já tem essas dúvidas há tempos e agora os quatro se juntam a ele. A única pessoa que parece determinada a continuar do jeito que as coisas estavam é Roslin, à beira da morte, e fica claro que até mesmo Adama está confuso, apenas seguindo suas ordens.

No mais, eu tenho medo do deus dos cylons. De arrepiar as cenas envolvendo o Baltar Jesus Cristo Superstar e o molequinho.

De resto, ficam as perguntas não respondidas e as novas perguntas:

- Ainda: o que diabos aconteceu com a Kara? Ela não parece estar mentindo, mas o que pode ter acontecido para ela pensar em seis horas e terem passado dois meses? E o seu viper? O que aconteceu?

- Qual é a das seguidoras do Baltar? Da onde surgiu isso? E por que diabos ele tem essa “linha direta” com deus?

- Por que os cylons se retiraram da batalha? Eles já enfrentaram o Anders antes, só não num viper. Por que só agora, depois do All Along the Watchtower, eles o reconheceram?

- Se a Six sente os final five “perto” porque a Athena parece que não? Por que ela nunca falou nisso?

Momentos favoritos, além da cena acima mencionada:

- A batalha inicial: Linda

- O Chief gritando com todo mundo no deck

- A cara desesperada da Tory se voltando para o Tigh: “alguma coisa pode ter mudado”

- O abraço do Lee na Kara

Por MJ

P.S. 1: É impressão minha ou o Baltar mudou o sotaque para o de Aerilon, que ele mostra num dos últimos episódios da terceira?

P.S.2: Engraçado como a gente nunca acerta nada com esse previews. Todo mundo pirando com a cena de uma battlestar sendo destruída e era uma nave da frota. Ha.

2 Comentários

  • Gostei muito da sua crítica. Seu modo de escrever não tem os vicios de linguagem próprios da internet, que eu não gosto.
    Se eu puder, gostaria de te fazer uma pergunta:
    O que você não gostou no episodio? Afinal, apesar de eu também ter adorado, ele não foi perfeito.
    Abraços

  • [...] que eu não gostei Jump to Comments Na crítica sobre ‘He That Believeth in me’, o Bruno perguntou o que eu não gostei no episódio. Atendendo ao pedido, minha [...]


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